domingo, 8 de março de 2020

Mulheres pedem fora Bolsonaro, fim do feminicídio e aborto legal em ato de 8 de março



Mulheres pediram o impeachment do presidente. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo NotíciasMais

Giorgia Cavicchioli - Yahoo Notícias - O impeachment do presidente Jair Bolsonaro, o fim do feminicídio e aborto legal eram algumas das pautas defendidas pelas mulheres que reuniram neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, em São Paulo.
Era por volta de 14h quando mulheres de várias idades, raças e religiões passaram a tomar a frente do parque Prefeito Mário Covas, na avenida Paulista, ponto de encontro marcado para as manifestações deste 8 de março. Com bandeiras e cartazes, elas também pediam pelo fim do assédio e por mais direitos trabalhistas.
Por volta das 14h30 a avenida foi tomada por uma forte chuva, o que fez com que um grupo de manifestantes buscassem abrigo nas marquises da avenida, abrissem seus guarda-chuvas e comprassem capas de chuva de ambulantes. Porém, poucas pessoas saíram das ruas.
Do carro de som, foi chamado o grito de “nem chuva e nem vento derruba esse movimento”, que foi prontamente seguido por várias mulheres e homens que participavam do protesto. Além desse, outros gritos foram entoados pela multidão. Entre eles, “nem recatada e nem do lar, a mulherada tá na rua para lutar” e “legaliza, o corpo é nosso, é nossa escolha, é pela vida das mulheres”, em referência ao aborto.
Mulheres pediram o fim do feminicídio. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo NotíciasMais

Com várias pautas distintas e realidades diferentes, as mulheres presentes no local se uniam quando pediam mais respeito e maior igualdade. Uma delas era a estudante Selma Delfino, de 13 anos, que foi com a mãe até o ato para pedir por mais direitos.
“Eu me sinto feliz em estar aqui. Eu vim representar a minha aldeia, que se chama Boa Vista e fica em Ubatuba. É importante a gente lutar pelos nossos direitos. Os homens estão mandando muito na gente, pensando no que a gente tem que fazer… por isso, eu vim aqui hoje. Eu vim por todas as mulheres”, explicou a jovem indígena.

Mulheres entoaram vários gritos durante a manifestação. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo NotíciasMais

Ver Selma e outras adolescentes no protesto fez a aposentada Cleusa Almeida, de 69 anos, comemorar. “Eu sou feminista desde os meus 20 anos. Eu queria que todas as mulheres e moças seguissem o meu exemplo. Só assim a gente vai ter um mundo melhor. Há 40 anos eu pratico a política e defendo as pessoas que têm menos condições. Eu quero que o mundo seja mais igual, seja mais justo… para isso, a gente tem que lutar por democracia”, disse.
Além disso, a estudante universitária Marianna Alves, de 21 anos, acredita que é importante que as mulheres negras e trabalhadoras sejam lembradas na data. “Além de ser o dia da mulher, esse é um dia em que se comemora a luta das mulheres trabalhadoras em conjunto. É importante representar esse setor, que é composto, em sua maioria, por mulheres negras e que estão nos piores postos de trabalho”, afirmou.
O ato também contou com a participação de um grupo de mulheres evangélicas. Uma delas era a professora Valéria Vilhena, da EIG (Evangélicas pela Igualdade de Gênero). Segundo ela, é preciso que elas estejam nas ruas em manifestações para pregar o que Jesus ensinou aos seus seguidores: amor e justiça.

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