terça-feira, 17 de março de 2020

Bolsonaro tem que sair da Presidência, afirma Janaina Paschoal



 A deputada estadual Janaina Paschoal. (Foto: Greg Salibian/Folhapress)

CAROLINHA LINHARES - SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deve sair do cargo após ter contrariado seu próprio ministro da Saúde e, em meio à pandemia de coronavírus, ter tocado em apoiadores durante manifestação a seu favor no domingo (15), em Brasília.
"Esse senhor tem que sair da Presidência da República, deixa o [Hamilton] Mourão [vice-presidente], que entende de defesa, conduzir a nação", pediu Janaina nesta segunda-feira (16), em discurso na Assembleia.
Janaina afirmou que Bolsonaro cometeu crime contra a saúde pública ao estimular os atos de domingo e ao participar da aglomeração, já que ele próprio está sob suspeita de ter contraído a Covid-19. Embora o presidente tenha testado negativo, ele fará novos testes e 12 pessoas ao redor dele estão com a doença.
"Como um homem que está possivelmente infectado vai para o meio da multidão? [...] Ele está brincando? Ele acha que pode tudo? As autoridades têm que se unir e pedir para ele se afastar. Não temos tempo para um processo de impeachment."
Após ter sido cotada para ser vice de Bolsonaro na campanha de 2018, Janaina afirmou nesta segunda, pela primeira vez, que se arrependeu do seu voto no presidente.
Em outras ocasiões, a deputada foi crítica a Bolsonaro e nunca se considerou bolsonarista —mas até agora mantinha o apoio ao governo federal.A deputada também dirigiu críticas a João Doria (PSDB) por, na avaliação dela, não ter tomado medidas suficientes contra o coronavírus.
Nesta segunda-feira, Bolsonaro acusou a cúpula do Poder Legislativo de ter iniciado contra ele uma "luta de poder" e afirmou que seria um golpe de Estado isolá-lo. Em entrevista por telefone à Rádio Bandeirantes, ele disse que tem sido ameaçado "o tempo todo" e que não existem hoje elementos para a abertura formal de um processo de impeachment contra ele".
"Não pode um chefe do Poder Executivo viver ameaçado o tempo todo", afirmou. "Seria um golpe isolar o chefe do Poder Executivo por interesses outros que não sejam os republicanos", afirmou.
Em uma referência a Fernando Collor e a Dilma Rousseff, presidentes que sofreram processos de impeachment, Bolsonaro disse que não foi acusado de corrupção nem cometeu irregularidades na área fiscal.
"Eu não abuso e não tenho qualquer envolvimento com corrupção. E terceiro fato: um impeachment só pode haver, no meu entender, se o povo estiver favorável a isso. Não existe nenhum ingrediente no tocante a isso daí."
Para o presidente, houve motivação política nas críticas feitas contra ele pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por sua participação em manifestação neste domingo (15), apesar das recomendações do Ministério da Saúde para evitar aglomerações.
"Nós estamos em uma briga pelo poder e vou ser fiel àquilo que eu sempre tive com a população brasileira. Não dá para querer jogar nas minhas costas uma possível disseminação do vírus", disse.
Neste domingo, Bolsonaro estimou e participou de manifestações em diferentes pontos do país com gritos de guerra e faixas em defesa do governo federal e com uma série de ataques ao Congresso e ao STF (Supremo Tribunal Federal).
O presidente incentivou os atos desde cedo em suas redes sociais —foram ao menos 42 postagens sobre o tema. Sem máscara, participou das manifestações, tocando simpatizantes e manuseando o celular de alguns apoiadores para fazer selfies. "Isso não tem preço", disse, durante transmissão ao vivo em suas redes sociais.

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