quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

UFMG atua na reconstrução da base brasileira de pesquisa na Antártica Estação Antártica

Comandante Ferraz será reinaugurada no dia 14 de janeiro. Universidade desenvolve estudos de diferentes áreas A UFMG é parceira da reconstrução da nova Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), localizada na ilha de Rei George, que será reinaugurada no próximo dia 14 de janeiro. Como contribuição, projetos científicos da Universidade desenvolvem atividades de pesquisa dentro do Programa Antártico Brasileiro (ProAntar), que é gerenciado pelos ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Relações Exteriores (MRE) e da Defesa (MD). 
Esses projetos, ao longo dos últimos anos, têm representado a UFMG, com alta produção científica em pesquisas sobre arqueologia, medicina e microbiologia antártica. Estão previstas na inauguração diversas autoridades brasileiras. Coordenadores dos projetos da UFMG também estarão presentes. O professor Luiz Henrique Rosa, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, participou da reestruturação da nova estação.
Devido à sua atuação de 13 anos no ProAntar e como coordenador do projeto temático MycoAntar, ele foi convidado pelo MCTIC e pela Marinha do Brasil para ajudar na montagem e instalação de diferentes equipamentos dos novos laboratórios da EACF. Luiz Rosa embarcou para a Antártica no início de novembro de 2019 e permanecerá na estação até a reinauguração. Além disso, em paralelo à montagem dos laboratórios, ele realiza os primeiros experimentos na nova EACF, além de testar os equipamentos e a estrutura dos novos laboratórios. 

Projetos da UFMG na Estação Antártica 
O projeto Micologia Antártica (MycoAntar), coordenado pelo professor Luiz Rosa, tem por objetivo catalogar espécies de fungos que possam ser encontrados na Antártica e posteriormente testados em diferentes estudos relacionados à produção de medicamentos e à agricultura. Ele é desenvolvido em parceria com diferentes universidades e centros de pesquisa no Brasil e também no exterior, de forma a congregar especialistas para o estudo da taxonomia (isto é, da identificação, caracterização e classificação), diversidade, ecologia e biotecnologia de fungos no continente. 
O MycoAntar integra também o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) da Criosfera. As amostras, coletadas desde 2013, permitem à UFMG constituir a maior coleção de fungos da Antártica, são mais de 8 mil espécies. Já o projeto Medicina, Fisiologia e Antropologia Antártica (MediAntar), coordenado pela professora Rosa Arantes, também do ICB, atua por meio do projeto Sobrevivendo no limite: a medicina polar e a antropologia da saúde na Antártica, que integra abordagens multidisciplinares da medicina de extremos, com ênfase em antropologia, saúde mental, estresse fisiológico e aclimatação em ambientes isolados, confinados, frios (cold) e extremos (ICE). As pesquisas do grupo inserem-se na área de Biologia Humana, Medicina Polar e Ciências Sociais, apontadas como novas áreas de investigação no Plano de Ação 2013-2022 para a Ciência Antártica Brasileira. Este campo pioneiro de investigações assume importância na cena cientifica Antártica diante da crescente presença humana no continente branco. 
O Laboratório de Estudos Antárticos em Ciências Humanas (Leach), da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), coordenado pelo professor Andrés Zarankin, executa o projeto Paisagens em Branco -Arqueologia Histórica Antártica, com duas frentes de investigação: uma em arqueologia e outra em antropologia, o qual busca conhecer as estratégias de ocupação humana na Antártica, desde seu início, com os foqueiros, até o presente. O objetivo geral das investigações é conhecer a incorporação dos espaços antárticos na dinâmica da ação humana. O Leach tem a maior coleção de vestígios arqueológicos de grupos caçadores de focas antárticos do mundo. Sobre a estação A Estação Antártica Comandante Ferraz foi parcialmente destruída por um incêndio em fevereiro de 2002 e parte da sua estrutura foi perdida. 
No mesmo ano, os planos para uma nova estação foram iniciados para que a produção científica do Proantar não fosse comprometida. Em paralelo às discussões da construção da nova EACF, Módulos Antárticos Emergenciais (MAEs) foram instalados para dar suporte de emergência para que as pesquisas não fossem completamente cessadas. A estrutura de ponta da nova EACF conta com uma área de aproximadamente 4.500 metros quadrados, dividida em seis setores distintos: privativo, social, serviços, operação/manutenção, laboratórios e módulos isolados. A nova estação tem 17 laboratórios, projetados para atender pesquisas em diferentes áreas do conhecimento e pode hospedar 64 pessoas. Veja fotos da estação no link: shorturl.at/brsx0

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