terça-feira, 29 de outubro de 2019

Mãe que obrigou filha a jejuar até morrer disse à polícia que está 'arrependida'



Yahoo Notícias - O caso aconteceu em Ubatuba, litoral paulista, de acordo com o G1. Em depoimento, a mãe admitiu o cárcere privado e afirmou que o jejum prolongado era uma imposição religiosa em forma de castigo à menina e ao irmão de 8 anos.
De acordo com o delegado Ricardo Mamede, que acompanha o caso, a prática de jejum era uma imposição do padrasto. “O padrasto tem convicções religiosas, mas não é ligado a nenhuma religião”, disse.
“Ele segue um criador, que diz ser Deus e, na cabeça dele, o salvamento das pessoas só acontece através de jejum. Quando as crianças desrespeitavam, ele aplicava castigos de jejum, que começavam com uma refeição, passava para duas e ia aumentando, até chegar nessa vez que durou dias.”
O jejum de dois dias que levou à morte da criança por desnutrição teria sido imposto porque ela “mentiu” no jejum anterior. “Quando reclamava de fome, diziam para ela tomar água. Ela disse que tomou água quando foi questionada e por ter mentido que tomou água, elas a puniram”, contou o delegado.
A mãe, de 26 anos, e o padrasto, de 47, vão passar por audiência de custódia na tarde deste sábado (26). O irmão da vítima foi encaminhado para um abrigo de Ubatuba e está sob os cuidados do Conselho Tutelar. O corpo da menina foi enterrado no cemitério municipal de Pindamonhangaba na manhã deste sábado.
O caso
Na noite de quinta-feira (24), a mãe e o padrasto levaram a garota ao pronto socorro, desacordada. Estranhando o caso, o hospital acionou a polícia, que trabalha com a informação de que a menina teria chegado morta ao hospital. Os médicos atestaram desnutrição e palidez.
Segundo o relato da mãe à polícia, a criança ficava no chão sobre um tapete fino, no apartamento da família, no centro da cidade de Ubatuba. Ela contou que a garota ficou trancada em casa durante cinco meses e que era obrigada a jejuar e orar.
Durante todo esse período, a garota teria saído apenas duas vezes de casa. A mãe confirmou que o irmão da menina, de apenas 8 anos, também era submetido a castigos eventuais. O padrasto permaneceu em silêncio durante todo o depoimento à polícia.

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