sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Repassar fake news em saúde pode colocar a vida de outros em risco

As “fake News” estão se fortalecendo cada vez mais e isso tem preocupado o País. Enfrentá-las é um desejo antigo, principalmente para quem trabalha com saúde e os prejuízos são consideravelmente enormes. Entretanto, o tema ganhou atenção nacional e um Marco Civil da Internet, que trata da previsão de princípios, garantias, direitos e deveres, está ampliando a discussão. Em Ilhéus, as notícias falsas ganham novos protagonistas.

Recebemos na sala da imprensa o titular da Saúde em Ilhéus (Sesau), Geraldo Magela. No entendimento do gestor, não precisa ser um especialista no assunto para saber que com a facilidade de comunicação trazida pela Internet, as fake news têm maior repercussão por esse meio do que pela televisão ou rádio. “Com a opção de compartilhamento, as notícias têm maior alcance e se espalham muito rapidamente, causando grande impacto na vida das pessoas”, avaliou.
Prejuízos – Como disse o Observatório da Imprensa, “Brasil é terreno fértil para fake news”. Muita gente tem um fraco por dietas milagrosas e aquela verdade que ninguém deseja que você saiba, mas que está chegando anonimamente até você, direto no celular. Mas afinal, o que pode acontecer com quem publica fake news? O que a legislação diz sobre as notícias falsas e o que fazer para se proteger das fake news? São questionamentos que aparecem cada vez que este tipo de notícia causa algum tipo de prejuízo.

No entanto, o secretário classificou como leviano, a ação de pessoas maldosas com a missão de divulgar mentiras sobre o sistema de saúde no município de Ilhéus. “Detectamos uma fake News no caso dos pacientes renais que levou pessoas a passarem mal, provocando grave risco à saúde de pelo menos quinhentas pessoas. Estas ações podem afetar negativamente o estágio de tratamento, podendo debilitar e levar, consequentemente à morte”, lamentou o gestor.

Salvar vidas – Geraldo Magela ressaltou que equipes atuantes no sistema de saúde estão comprometidas em salvar vidas. “Intensificamos nos finais de semana a rotina de busca por UTIs e transferências. Na maioria das vezes, conseguimos, o que quer dizer que em algum momento pode acontecer de não conseguir. Sentimos quando há casos mais graves, tipo cardiológicos, que precisa fazer cirurgia numa criança, e aí, torna-se mais difícil e só se consegue em Salvador, por enquanto”.

Magela lembrou que o secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas assegurou que em outubro começa a licitação da obra para transformar o antigo Hospital Regional em uma maternidade, com 20 leitos de UTI neonatal e mais 10 leitos de UTI pediátrica. “Então, na verdade a gente está fazendo esse esforço em parceria com o Governo do Estado, e até lá, teremos essa dificuldade, aliás, dificuldade enfrentada por vários municípios no País”, frisou.

E ponderou: “A população aumentou, muita gente de Itabuna está vindo para Ilhéus, sobrecarregando a nossa estrutura de saúde. Estamos indo conversar com o secretário Vilas-Boas para nos ajudar”. Magela desmistifica ainda para o fato de que quando se morre uma criança num hospital, não significa dizer que as crianças vão morrer. “Se o Vida Memorial é um hospital de referência, evidentemente os casos mais graves serão destinados para lá, ocorrendo o salvamento ou o óbito”.

Internações – O secretário afirma que a saúde em Ilhéus avançou e deu como exemplo, a quantidade de cirurgias realizadas. Segundo ele, as metas foram alcançadas e o município vai para 2.900 Autorização de Internação Hospitalar (AIHS). “Nunca se internou tanta gente, nunca se fez tanta cirurgia, justamente porque o município também nunca recebeu tantos pacientes de outros municípios, a exemplo de Itabuna, que enfrenta uma crise e está nos sobrecarregando”.

Caso vai à justiça – “Vale salientar que as informações na área da saúde precisam ser verdadeiras. A população pode perguntar, entrar em contato com a Ouvidoria, mas não deve reproduzir notícias falsas”, alertou. “Esse caso relacionados aos renais, por exemplo. A notícia falsa veiculada foi terrível para os pacientes. Já acionamos a Procuradoria-Geral do Município que entrará com uma ação, não só contra a emissora de rádio, mas também contra os comunicadores que divulgaram a falsa informação. “Entrei no ar por duas vezes e cercearam meu direito de falar, um absurdo”, disse Magela revoltado.

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