quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Homem é preso após fingir ser policial federal e enganar mulheres em 4 estados


aniel Lopes da Silveira tinha fotos com viaturas e uniforme da PF. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

JÚLIA BARBON - Folhapress - Ele saía de casa todo dia vestindo o uniforme da Polícia Federal, andava armado e de tempos em tempos passava uma semana fora de casa em operações, as quais narrava nos mínimos detalhes. Era carinhoso, educado, protetor e queria formar uma família.
Até que algum problema acontecia e ele precisava de uma ajuda financeira, normalmente de milhares de reais. Então começava a ficar explosivo, ciumento, agressivo, o que fazia as mulheres terminarem o relacionamento.Foi assim que Daniel Lopes da Silveira, 38, atuou por ao menos três anos antes de ser preso pela Polícia Federal no último dia 24 de julho, no shopping Morumbi em São Paulo, segundo o relato de vítimas. O caso foi revelado pelo jornal Zero Hora.
Hoje detido na carceragem da PF em Porto Alegre, ele já havia sido preso uma vez e é acusado de estelionatos em ao menos quatro estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. São cerca de dez vítimas identificadas até aqui, com prejuízos que variam de R$ 15 mil a R$ 30 mil por pessoa, segundo a investigação.
Apesar de ele ter admitido se passar por policial federal, a defesa nega que o objetivo fosse obter dinheiro. "O Daniel nunca se apresentou como policial federal. Com o passar do tempo, quando questionado sobre sua profissão, daí então ele dizia ser PF, mas não utilizava desse artifício para conseguir dinheiro", diz sua advogada, Josiane Schambeck.
Daniel Lopes da Silveira, 38, tirava fotos em frente a carros da Polícia Federal para postar nas redes sociais Arquivo pessoal Daniel Lopes da Silveira, 38, tirava fotos em frente a carros da Polícia Federal para postar nas redes sociais Ela também afirma que as quantias devidas eram apenas dívidas: "Ele pedia emprestado e acabava não conseguindo saldar. Porém tais dívidas devem ser dirimidas na esfera cível, no ponto de vista da defesa", alega ela, que entrou com um pedido de liberdade do cliente.
A história que mulheres que conviveram com ele contam, porém, é diferente.
"Conheci ele pelo Instagram em março de 2017. Ele se apresentou como policial federal, a gente conversou por um período, e em junho ele veio para Criciúma (SC) e me pediu em namoro. A esse ponto ele já ligava para conversar com a minha mãe. Minha família e meu filho gostavam muito dele", conta Carolina -os nomes foram trocados para não identificá-las.
A certa altura, ela, que é servidora pública estadual, decidiu pesquisar o nome do namorado no Portal da Transparência, mas não o encontrou. Daniel explicou que estava afastado por medidas administrativas e, até que o processo acabasse, ia vender um terreno que tinha em Gramado (RS) para ficar mais tranquilo financeiramente.
"A corretora ligou para ele na minha frente. Ele disse que precisava de dinheiro para arrumar a documentação desse terreno e falei que ia emprestar. Só que o tempo ia passando, a venda não se concretizava e ele dizia que ia sempre depositar no dia seguinte.”
Foi aí que Daniel começou a ficar agressivo e ciumento. Chegou a pegá-la pelo cabelo e pelo braço porque ela estaria dando mais atenção à irmã do que a ele em seu aniversário. Também ligava para parentes ameaçando matá-la. Isso tudo durou apenas alguns meses, e ela terminou a relação em setembro.
Começou a puxar pessoas próximas ao ex para cobrar o prejuízo de cerca de R$ 40 mil. Achou uma prima nas redes sociais, que na verdade não era parente dele, e sim filha de uma outra vítima. Aí a ficha começou a cair, mas o sentimento era de impotência.
"Quando fiz uma ata notarial no cartório registrando tudo, eu vi na cara da menina que me atendeu uma expressão de 'como você foi cair nessa?'. Aí desisti de fazer a denúncia. Como eu vou numa delegacia prestar depoimento para um homem se eu já estou me sentindo uma idiota?”

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