terça-feira, 30 de julho de 2019

Polícia investiga morte de três idosos em asilo

Metro Belo Horizonte - H. Municipal Madalena Calixto recebeu parte dos internos - Divulgação
As diversas denúncias de maus-tratos e agressões em um asilo de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, levaram a Polícia Civil a investigar a morte de três idosos que viveram no local nos últimos meses. Detidas desde a última quinta-feira (25), as proprietárias do estabelecimento, que são mãe e filha, tiveram ontem as prisões em flagrante convertidas para preventivas. As suspeitas participam de uma audiência de custódia hoje na Justiça. Já o cuidador do local segue foragido.Cerca de 50 pessoas eram atendidas na clínica, entre idosos e pessoas com dificuldades de locomoção. De acordo com a delegada Bianca Prado, os internos sofriam castigos e eram privados de alimentação adequada. A polícia ainda encontrou uma fossa transbordando na área em que as pessoas transitavam. A instituição fica no bairro Barreiro do Amaral e foi interditada pela prefeitura.
Encontrados em estados mais graves, 13 idosos seguem internados no Hospital Municipal Madalena Calixto com quadros de pneumonia, desnutrição e fraturas – dois estão no setor de emergência para cuidados intensivos. Conforme a Secretaria Municipal de Saúde da cidade, uma equipe de saúde da família prestou atendimentos aos demais internos que “não precisavam de cuidados médicos, mas apresentavam alguma enfermidade”.

Em busca das famílias
Mesmo com a interdição, 21 idosos que não tiveram os familiares localizados seguem internados na unidade. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social começou um processo para levantamento de informações sobre os pacientes, fazendo a busca ativa pelos parentes. “Também é aguardada a liminar da Justiça que determinará pelo fechamento ou não do local e os procedimentos que serão tomados a partir daí”, informou a prefeitura. O local é monitorado 24h por dia pela Guarda Municipal da cidade. A Polícia Civil não descarta abrir um inquérito para investigar prováveis crimes de abandono de incapaz.

Histórico de irregularidades
As suspeitas de irregularidades deixaram a instituição na mira do Ministério Público desde 2017. A Vigilância Sanitária fez vistorias no asilo e notificou as proprietárias a realizarem melhorias, mas, segundo a prefeitura, o estabelecimento sempre “mudava de endereço em todas as vezes que os prazos” venciam. No início deste mês, pacientes da clínica precisaram de atendimento no hospital municipal e relataram as agressões. “Diante disso, o médico fez uma denúncia à polícia, que foi até o local, abriu as investigações e solicitou a interdição do asilo”, finalizou a nota.
Já a defesa das proprietárias não foi localizada pela reportagem.

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