terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Polícia Civil desvenda sequestro forjado por motorista de aplicativo que tentou extorquir a própria família




Com direito a vídeo exibindo a suposta vítima amarrada sob ameaças e um resgate que custaria uma quantia razoável em dinheiro à família. Foi a partir dessas informações que a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) desvendou um sequestro forjado que culminou nas capturas de quatro pessoas. Entre elas, o homem que era apontado como o sequestrado, mas que na verdade era responsável pelas extorsões contra os próprios parentes. Todo o esquema criminoso foi descoberto por meio das investigações da Divisão Antissequestro (DAS) com o apoio da Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas (Draco), no último sábado (26). Os detalhes foram repassados em coletiva de imprensa, na sede do Complexo de Delegacias Especializadas (Code), nesta segunda-feira (28).
Tudo iniciou após a família acionar, no sábado, a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), que repassou o caso para os policiais civis da DAS. Os trabalhos policiais iniciaram por volta do meio-dia e, às 17 horas da mesma tarde, todo o caso já se encontrava solucionado. De acordo com o delegado Antônio Pastor, titular da DAS, os familiares receberam um vídeo que mostrava Antônio Mariano da Silva Filho (25) amarrado, deitado sobre um colchão e sendo ameaçado por suspeitos supostamente armados.
A “vítima”estava desaparecida desde a quinta-feira (24) e trabalhava como motorista de aplicativo de transporte de passageiros, na Grande Fortaleza. De posse das informações repassadas pela família, os policiais civis suspeitaram do “modus operandi” dos criminosos. “Independente de ser um grupo experiente ou iniciante, o sequestro possui uma metodologia criminosa, que chamamos de manual do sequestrador. E pelos indícios que tínhamos, a ação fugia muito desse manual. Com isso, passamos a desconfiar que se tratasse de um autossequestro”, revelou o delegado Pastor.
Nessa linha, os policiais chegaram a uma residência, em Maranguape (AIS 12), que era utilizada como apoio para o bando. O delegado revelou que por se tratar de uma região, onde facilmente seria identificada a presença policial, os profissionais utilizaram um drone da Polícia Civil para monitorar a movimentação no local. Com isso, foi possível identificar quando um veículo Chevrolet Ônix prata deixou a propriedade. A Polícia Civil seguiu o veículo e o abordou na CE 065, em Itapebussu, em Maranguape.
O carro era conduzido por Mariano, a então vítima, e ao seu lado estava Jaqueline Nascimento Barbosa (21) – sem antecedentes – com uma criança de colo, seu filho. A intenção era não levantar nenhuma suspeita da Polícia e dar um aspecto de família. Já no banco detrás estavam dois adolescentes de 16 e 17 anos, ambos com passagens pela Polícia. O mais novo já responde a atos infracionais por tráfico de drogas, tortura, roubo, posse e porte ilegal de arma de fogo. Já o suspeito mais velho responde por posse ilegal de arma de fogo.
“Ele (Mariano) afirmou que saiu para farrear, e nisso, o dinheiro acabou. Então, ele teve a ideia de fazer o vídeo simulando o sequestro e mandou para a própria irmã, no sábado, porque achava que a família pagaria o valor. A mulher presa, Jaqueline, utilizou o cartão da mãe para realizar o deposito que seria sacado pelo bando, e a farra continuaria”, disse o delegado Pastor. Ainda conforme o titular, a irmã de Mariano chegou a depositar uma parte do valor, que não foi retirada pelos suspeitos, graças à ação rápida da Polícia Civil.
O quarteto foi encaminhado para a Delegacia Metropolitana de Maracanaú, onde um inquérito policial e um ato infracional foram realizados pelo crime de extorsão. Os maiores foram indiciados ainda por corrupção de menor. A Polícia Civil trabalha agora para chegar aos demais envolvidas no esquema criminoso.

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