sábado, 20 de outubro de 2018

Empresas pagam milhões por campanha contra PT no WhatsApp, diz Folha



Companhias brasileiras que apoiam o presidenciável Jair Bolsonaro, do PSL, estão financiando campanhas pelo WhatsApp contra o PT, partido do seu concorrente Fernando Haddad, segundo a Folha de de S.Paulo. O jornal destaca que a prática é ilegal, “pois se trata de doação de campanha, vedada pela legislação eleitoral, e não declarada”.
De acordo com a reportagem, publicada nesta quinta-feira, 18/10, os contratos das campanhas chegam a 12 milhões de reais cada e preveem o disparo de centenas de milhões de mensagens. Esse “disparo em massa” é feito tanto para bases de usuários do próprio candidato quanto para bases vendidas por agências digitais – o que também é ilegal, aponta a Folha, uma vez que as leis eleitorais vedam a compra de bases de terceiros.
Entre as companhias pró-Bolsonaro que compraram campanhas do tipo, destaca o jornal, está a rede de lojas Havan, cujo dono, Luciano Hang, foi multado recentemente pelo TSE em 10 mil reais por impulsionar publicações a favor de Bolsonaro em sua página no Facebook. Em declaração à Folha sobre o assunto, Hang disse não saber o que é “disparo em massa” e afirmou que “não temos essa necessidade”.
A reportagem destaca ainda que as agências de estratégia digital que vem prestando esse serviço incluem nomes como Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market, que cobrariam preços diferentes para os diferentes tipos ed base de usuários – entre 0,08 e 0,12 centavos de real para a base do candidato e entre 0,30 e 0,40 centavos em bases fornecidas pelas próprias empresas.

Pré-Eleição
Além disso, a Folha de S. Paulo aponta ainda que empresas investigadas pela reportagem já teriam serviços enormes de disparos via WhatsApp agendados para a semana anterior ao segundo turno da eleição presidencial, marcado para 28 de outubro.

Limite WhatsApp
Recentemente, Bolsonaro afirmou que irá lutar para reverter o limite de encaminhamento de mensagens para 20 contatos de uma vez, adotado em julho pelo WhatsApp em uma tentativa de diminuir a disseminação de notícias falsas no Brasil.

"Organização criminosa"
Em seu perfil no Facebook, Haddad comentou a reportagem em questão da Folha, afirmando que Bolsonaro criou uma "organização criminosa" com empresários para compartilhar "mensagens mentirosas" no WhatsApp.

Bolsonaro diz não ter controle
Em entrevista ao site O Antagonista, Bolsonaro respondeu à reportagem da Folha, afirmando que não tem controle sobre uma possível prática como a citada pelo jornal feita por terceiros.

“Eu não tenho controle se tem empresário simpático a mim fazendo isso. Eu sei que fere a legislação. Mas eu não tenho controle, não tenho como saber e tomar providência. Pode ser gente até ligada à esquerda que diz que está comigo para tentar complicar a minha vida me denunciando por abuso de poder econômico”, afirmou o candidato do PSL.

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