sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Maria Alice é o único do País que possui unidade de ventilação mecânica



por Francisco Francerle
O olhar fixo a um desenho animado que assiste no tablete fixado no leito de um hospital revela a interação do pequeno Anthony com o mundo ao seu redor. Apesar do olhar aguçado e esperto, ele não fala, não se mexe, apenas movimenta a cabeça e depende para sempre de um respirador mecânico para sobreviver. Ele vive há um ano na Unidade de Dependentes de Ventilação Mecânica (UDVM) do Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes, o único hospital público do país a dispor desse serviço.
A casa, a escola e até os momentos de diversão de Anthony e de mais outros quatro coleguinhas internados na UDVM se resumem ao ambiente acolhedor do local. Ali, uma equipe de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e técnicos de enfermagem se revezam nas 24 horas para prestar uma assistência de alta complexidade de primeira qualidade a pequenos pacientes que não conseguem viver sem a ajuda do respirador mecânico.
A UDVM foi criada há 3 anos para desafogar e dar rotatividade à Unidade de Terapia Intensiva do hospital. Antes, boa parte dos dez leitos da UTI pediátrica do Maria Alice era ocupada por crônicos. Sem perspectivas de alta, as crianças ficavam em vagas que poderiam ser destinadas a pacientes agudos. "Apenas metade dos leitos tinham rotatividade por conta desses pacientes que apenas recebiam ventilação mecânica", explica a diretora geral, Suyame Furtado Ricarte.
Além do problema dos leitos, a permanência dos pacientes crônicos numa UTI traz riscos de infecção no ambiente hospitalar. O hospital Maria Alice Fernandes até tem uma UTI pediátrica nova, toda equipada com dez leitos, porém o espaço não está sendo utilizado porque a o processo de contratação dos profissionais através de cooperativas médicas ainda não está concluído.
Os atuais pacientes da UDVM são portadores de atrofia medular espinhal, neuropatia e encefalopatia não progressiva, alguns apresentam distrofia que evolui diminuindo a movimentação. Afeta membros e respiração, chegando a um ponto que só sobrevivem com ventilação mecânica. Maria Vitória é a mais antiga, já está ali desde abril de 2014 por conta do diagnóstico de neuropatia. A família é proveniente de Itajá. A mãe de Vivi tem uma freqüência de visitas três vezes por semana. Ela faz questão de fazer alguns cuidados básicos de banhos e higienização.
Antony é uma criança que apresenta uma doença neuromuscular em investigação, que afeta o sistema músculo-esquelético, não levando a danos cognitivos, ou seja, é uma criança consciente e orientada, compatível com a idade cronológica. Nasceu em junho de 2016, foi para casa, mas precisou de internação para receber ventilação mecânica. Apresentando também hipotonia de tronco e membros, porém interage bem com a equipe e familiares. A mãe tem residência em Natal e sempre visitou o filho.
Suyame explica que a comunicação com pacientes ocorre de forma individual, cada um com suas peculiaridades. Alguns se comunicam com o olhar, outros mexem a barriga e outros com os dedos . "Eles respondem a estímulos, reconhecem as pessoas e também se emocionam. Apesar de todas as limitações, eles conseguem ter contato com os profissionais que cuidam deles", afirma a diretora.

Hospital possui 70 leitos ativos
Situado na Zona Norte de Natal, o Hospital Maria Alice Fernandes é uma unidade de médio porte, referência em pediatria no Estado do Rio Grande do Norte. Foi inaugurado no Dia das Crianças de 1999. Atualmente conta com 70 leitos ativos e mais 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que aguardam reabertura. Eles são distribuídos entre a clínica médica pediátrica (36 leitos), clínica cirúrgica pediátrica (14 leitos).
Disponibiliza serviços de Cirurgia Pediátrica e atendimento de Pronto Socorro regulado e uma Unidade de Dependentes de Ventilação Mecânica com sete leitos. A instituição presta atendimento de 24 horas de urgência e emergência a crianças e pré-adolescentes, correspondendo à faixa etária de 0 a 14 anos 11 meses e 29 dias.
O Hospital Maria Alice é uma unidade de porta referenciada, ou seja, chegam a sua "porta" as crianças que já passaram por um posto de saúde ou por outro hospital e que o médico, ao avaliar a gravidade do caso, constatou a necessidade de um atendimento de urgência de alta complexidade.

MARIA ALICE PROMOVE CAMPANHA #adornozero
Os funcionários do Hospital Maria Alice Fernandes estarão livres de adornos no ambiente de trabalho. Brincos, anéis, pulseiras, aliança, relógios de uso pessoal, colares, broches, piercings, gravata e até lentes de contato serão agora bem guardados na bolsa de cada funcionário antes de começar as atividades. A iniciativa faz parte da campanha #adornozero que o hospital vai realizar nos próximos dias nas redes sociais com o objetivo de combater a disseminação de infecção hospitalar tanto no ambiente de trabalho quanto na própria residência dos servidores.
Em fase de preparação, a campanha segue a NR 32, norma regulamentadora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que determina que todo trabalhador do serviço de saúde, exposto a agente biológico, independentemente de sua função, deve evitar o uso de adornos no ambiente de trabalho. A campanha vem sendo realizada em alguns hospitais universitários federais do país, contando inclusive com o apoio da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).
De acordo com a diretora geral do hospital, Suyame Furtado Ricarte, ao orientar o servidor a não utilizar adornos, a campanha protege tanto a saúde do trabalhador quanto de quem ele cuida e até dos próprios familiares, tendo em vista que ao usar algum adorno na unidade de saúde o servidor corre o risco de levar bactérias armazenadas nesses objetos para a própria casa. A campanha terá palestras e encontros semanais até todo servidor quebrar qualquer barreira de resistência e ser conscientizado a aderir à nova postura.

Maquiagem compensa ausência de joias
O público feminino, mais afeito ao uso de joias, como brincos, colares e pulseiras, é o principal alvo, mas os homens também deixarão a aliança e a gravata de lado, explica a diretora Suyame. “Mas não será difícil. Se não teremos joias, poderemos fazer uso de uma boa maquiagem e ficaremos até mais bonitas naturalmente”, brinca ela. Reunidas numa sala para retocar a maquiagem e participar de uma sessão de fotos para cartazes e banners da campanha, um grupo de servidores voluntários afirmou que além de não usar adornos vai ajudar na conscientização tanto no trabalho quanto nas redes sociais.
O Hospital Maria Alice Fernandes enfrentou há pouco tempo um momento crítico de contaminação pela bactéria stafilococus resistente que provoca doenças do trato respiratório.
adquirida por contato, possivelmente transportado por adornos de pacientes e de profissionais. “O problema foi resolvido, mas ainda há a necessidade de estabelecermos a estratégia”, concluiu a diretora.
SESAP

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